A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) prorrogou por mais 180 dias as medidas cautelares contra o governador do Acre, Gladson Cameli, réu em ação penal que investiga organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações, com prejuízo estimado superior a R$ 16 milhões aos cofres públicos, podendo chegar a quase R$ 150 milhões segundo o Ministério Público Federal (MPF). A denúncia aponta que, desde 2019, Cameli teria liderado um esquema criminoso que utilizava contratos fraudulentos, especialmente envolvendo a empresa Murano Construções Ltda. e uma parceria com uma empresa ligada a seu irmão, para desviar recursos públicos por meio de superfaturamento e favorecimento ilícito. As medidas cautelares incluem proibição de contato com testemunhas e investigados, restrição para sair do país e indisponibilidade de bens, visando evitar o restabelecimento da organização criminosa e garantir a instrução processual, conforme destacou a ministra relatora Nancy Andrighi, que ressaltou indícios consistentes da atuação direta do governador no esquema e a necessidade de manter as restrições para proteger o interesse público.
